Um espaço de som
A ideia era trabalhar com o efeito do som no espaço em que se vive. As experiências que só são percebidas por meio da combinação de sentidos. Foi um trabalho inicialmente visual, que foi guiado pelo som, e que teve como resultado movimento.
Depois da última revisão que tivemos, já não tinha certeza de nada que tínhamos decidido para esse projeto. A ideia parecia tosca e a execução, frágil. Ou o contrário. Sei que saí de perto do avaliador com sangue nos olhos e muita frustração. Vídeo não é comigo. Atrás ou na frente das câmeras não é meu lugar.
Então, como mostrar em um vídeo tudo que eu sinto quando pensamos em som? E será esse o verdadeiro guia deste projeto?
Deixe-me guiar você.
Estamos em um mundo misturado. Temos paz e caos a metros de distância. E criamos arte com a combinação dos dois. A paz mais antiga que conhecemos vem da natureza. Do silêncio do amanhecer. Dos passarinhos. Da chuva e do rio. Do vento. Do balançar das plantas.
Mas a natureza sabe provocar inquietação também. O trovão. O rugido. O redemoinho. A tempestade.
Nós aperfeiçoamos o caos. Nas buzinas e sirenes. Nas máquinas. Nas fábricas. A colheitadeira, o torrador, o liquidificador, o secador, o apito. Grandes e pequenas coisas. O som caótico também se tornou sinônimo de evolução. De conexão. O avião, o trem, o metrô. O caos está por toda parte. Ele molda a forma como concebemos espaço. O que é confortável ou não. O que é seguro.
Mas nós também aperfeiçoamos. O caos que vira harmonia. Na música. Nos encontros. Nas risadas. Nos lares. Em casas. É uma harmonia quase tão bela quanto a original. É o resultado do ser humano com o ambiente. É a paz da natureza nas cidades.
Me perdi um pouco nas palavras, assim como me perdi no vídeo. O que isso tem a ver com a proposta do vídeo?
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